Por que saltar refeições para “ganhar tempo” pode sair caro
Share
No ritmo acelerado do dia a dia, é cada vez mais comum ouvirmos frases como “não tive tempo para comer” ou “vou saltar o almoço para adiantar trabalho”. Pode parecer uma estratégia eficiente para ganhar algumas horas extra, mas a ciência mostra que essa escolha pode comprometer não só a saúde metabólica, mas também a produtividade, o bem-estar mental e até o risco cardiovascular. (1,2,3,4,5)
Vivemos numa época onde estar ocupado é sinónimo de sucesso. Saltar refeições pode parecer um sacrifício pequeno comparado ao que se ganha em tempo, mas os efeitos colaterais podem afetar justamente aquilo que se pretende otimizar: o rendimento no trabalho e a clareza mental.
Quando se salta o pequeno-almoço ou outras refeições, o corpo entra numa espécie de modo de “alerta metabólico”. A falta de nutrientes pode levar a flutuações glicémicas (níveis de açúcar no sangue), aumento do cortisol (hormona do stress) e outras reações compensatórias que prejudicam a energia e a função cognitiva. (2,4).
Impacto metabólico
A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco cardiovascular como obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia e hiperglicemia. Uma análise dos estudos existentes sobre o tema revelou que quem salta o pequeno-almoço tem risco maior de desenvolver síndrome metabólica. Quando olhamos para cada fator individual da síndrome, os resultados indicam que há também uma probabilidade maior de ter gordura abdominal extra, pressão arterial elevada, níveis altos de colesterol ou triglicéridos (gordura) e glicose alta no sangue. (2,5)
Qualidade nutricional comprometida
Estudos apontam que quem salta refeições, especialmente o pequeno-almoço, tende a ter uma ingestão menos equilibrada ao longo do dia, consumindo mais gorduras e menos micronutrientes essenciais como cálcio e vitaminas. Esse desequilíbrio nutricional agrava os riscos metabólicos e pode, a médio ou longo prazo, comprometer a saúde cardiovascular. (2,5)
O custo mental: humor, stress e produtividade
Uma análise de 14 estudos com quase 400 mil pessoas encontrou uma associação significativa entre saltar o pequeno-almoço e maior probabilidade de depressão, stress e angústia psicológica. (3)
Em adolescentes também foi observada uma ligação entre saltar o pequeno-almoço e ansiedade, sugerindo que esse hábito pode afetar especialmente os jovens. (3)
Além disso, pessoas com depressão que também passavam o pequeno-almoço tinham um risco ainda maior de desenvolver síndrome metabólica ao longo do tempo, com risco 118% superior comparado às que comiam de manhã. Isto sugere que a omissão de refeições pode amplificar vulnerabilidades mentais e metabólicas, em conjunto. (2,4)
Pode parecer que saltar refeições poupa tempo imediato, mas os custos ocultos, tanto físicos como mentais, tendem a minar a eficiência a médio e longo prazo.
Sem um aporte nutricional adequado, é comum sentir fadiga ou dificuldade de concentração, podendo haver uma redução de clareza de pensamento e aumentar a impulsividade. Níveis elevados de cortisol e desregulação hormonal comprometem o equilíbrio emocional e o ganho de gordura abdominal. A hipertensão ou a hiperglicemia são consequências lentas, mas relevantes, que podem comprometer não apenas a produtividade e a longevidade. (2,4,5)
Quem salta refeições e porquê?
Estudos recentes mostram que saltar refeições continua a ser um comportamento muito comum, especialmente entre jovens adultos e estudantes universitários, sendo a falta de tempo é a razão mais citada. (6,7)
A prevalência de saltar refeições varia muito, entre 2 e 61 por cento, dependendo da população e da refeição considerada, e o pequeno-almoço é a refeição mais frequentemente omitida, seguido do almoço e do jantar. (6)
Fatores individuais como dormir mal, maior tempo de ecrã e hábitos de alimentação pouco saudáveis aumentam a probabilidade de saltar o pequeno-almoço. Assim como, viver sozinho, consumo elevado de álcool e tabagismo são outros fatores associados. (7)
Em adição, existe também variação segundo o género: homens tendem a saltar mais o pequeno-almoço, enquanto mulheres saltam mais o almoço ou jantar. (6)
Estes dados reforçam que saltar refeições não é apenas uma questão de “não querer comer”, mas um fenómeno multifatorial ligado ao estilo de vida, ao ambiente social e às rotinas diárias.
Alternativas mais saudáveis para ganhar tempo:
De forma a ganhar tempo de forma sustentável, podem se adotar estratégias que não comprometam a saúde, tais como: preparar refeições rápidas e nutritivas com antecedência; promover intervalos para comer pode aumentar a produtividade porque previne quedas de desempenho no final do dia; se o objetivo for jejum intermitente, fazê-lo de forma deliberada e estruturada com supervisão. (2,3,4,5)
Conclusão
A ideia de ter mais tempo se não se comer é tentadora, mas como mostram os estudos, saltar refeições de forma crónica causa custos elevados para a saúde metabólica e mental.
Para quem valoriza a produtividade, uma estratégia eficaz não é eliminar o tempo de refeição, é otimizá-lo. E a ciência deixa claro que o pequeno-almoço ou outra refeição regular pode ser um dos aliados mais poderosos.
Além disso, escolher snacks práticos e nutritivos, como os da Oh!My, permite manter energia e foco mesmo em dias corridos, garantindo que a alimentação contribua para o bem-estar físico e mental.
Aqui estão alguns exemplos de snacks práticos para os lanches do dia a dia:
- Barra Proteica Deluxe Avelã
- Bolas Proteicas com Cobertura de Cacau e Creme de Framboesa
- Fusão Salgada Mediterranean Vibes
- Barra Natural Brownie Chocolate de Leite
- Barra de Fruta Ananás e Frutos Secos
Bibliografia
- Wicherski J, Schlesinger S, Fischer F. Association between Breakfast Skipping and Body Weight—A Systematic Review and Meta Analysis of Observational Longitudinal Studies. Nutrients. 2021;13(1):272. DOI: 10.3390/nu13010272
- Alkhulaifi F, Darkoh C. Meal Timing, Meal Frequency and Metabolic Syndrome. Nutrients. 2022;14(9):1719. DOI: 10.3390/nu14091719
- Zahedi H, Tabesh M, Saneei P, et al. Breakfast consumption and mental health: a systematic review and meta analysis of observational studies. Ann Nutr Metab. 2022;25(6):1250-1264. DOI: 10.1080/1028415X.2020.1853411
- Nizami H, Su L, Jain R, Jain R. Effects of chronically skipping meals on atrial fibrillation risk. Future Cardiol. 2022. DOI: 10.2217/fca-2021-0086
- Frontiers in Endocrinology. Effect of skipping breakfast on cardiovascular risk factors: a grade assessed systematic review and meta analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies. Front Endocrinol. 2023. DOI: 10.3389/fendo.2023.1256899
- Pendergast FJ, Livingstone KM, Worsley A, McNaughton SA. Correlates of meal skipping in young adults: a systematic review. Int J Behav Nutr Phys Act. 2016;13:125. DOI: 10.1186/s12966-016-0451-1
- Recent studies 2023-2024 on meal skipping (Corea, Bangladesh, middle-aged adults), diversos artigos científicos em revistas internacionais de nutrição e saúde pública.
Autor: Sofia Silva 5784N